Você não está enlutando errado.
Não existe um roteiro de cinco etapas, nem um prazo certo para a saudade passar. O que existe é uma literatura séria sobre o assunto — e quase nada dela chega até quem precisa.
Ler os textos
Sou Camila Morais, psicóloga
Atuo em clínica desde 2013 e, desde 2020, meu trabalho tem se concentrado em perdas e luto. Sou pós-graduada pela PUC-SP em atendimento ao luto e em terapia cognitivo-comportamental.
Este espaço é onde escrevo sobre o assunto: o que a pesquisa mostra, o que costuma ajudar, o que costuma atrapalhar — e o que ninguém conta sobre atravessar uma perda.
Uma coisa que talvez você precise ouvir
A maioria das pessoas atravessa o luto sem terapia. Isso não é descaso com o sofrimento — é o que os estudos de acompanhamento mostram há décadas. As trajetórias mais comuns depois de uma perda envolvem dor intensa e recuperação gradual, sem que se desenvolva um quadro clínico.
Uma parcela menor, algo em torno de 7 a 10% das pessoas enlutadas, desenvolve um luto que se prolonga e passa a interferir de forma persistente na vida. Para essas pessoas existe tratamento específico, com evidência de eficácia — e ele é diferente do tratamento para depressão.
Dizer isso é menos vendável do que prometer que todo mundo precisa de terapia. Mas é o que a literatura sustenta, e você merece saber em qual situação está antes de decidir qualquer coisa.
Quando a agenda abrir
Ainda não estou recebendo novos pacientes no consultório particular. Quando isso mudar, quem acompanha os textos será avisado primeiro.
Enquanto isso, se você precisa de atendimento agora, reuni na página de ajuda os caminhos que existem e são gratuitos — incluindo grupos de apoio que quase ninguém sabe que existem.